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Jakzam MorroPaiInácio,Chapada_Diamantina

Jakzam Kaiser na Chapada Diamantina: um belo momento de sua nova vida

Dia 24 de agosto de 1991, descendo de fusca no trecho entre Praia Mole e Barra da Lagoa, não venci a última curva (estava distraído) e emparedei o carro (fusca é carro?) há 90 km por hora contra um muro, sem cinto de segurança.

O carro ricocheteou, voltou para a estrada com o lado do motorista para baixo, deslizou cerca de 30 metros até parar no acostamento do outro lado da rodovia. Por sorte não vinha ninguém em sentido contrário e nem atrás de mim.

Atropelei um rapaz que estava distraído e de costas, andando na estrada, a capota do fusca bateu em suas costas enquanto deslizava no asfalto, e ele foi jogado dentro da Lagoa da Conceição. Saiu de lá como se fosse o Monstro do Pântano, com as vias respiratórias entupidas de lama, e hematomas pelo corpo todo, como se tivesse apanhado uma surra do Mike Tyson. Afora isso, estava inteiro, e assim seguiu vida afora, o meu atropelado.

Eu sofri uma queimadura no ombro, resultado de ele ter sido "lixado" durante o deslizamento do carro pelo asfalto. E um escalpo: o teto do fusca 68 se abriu como lata de sardinha, e os ferros retorcidos "arrancaram" o couro cabeludo, deixando boa parte da cabeça "no osso". Ainda bem que sou cabeça dura e, fora as marcas dos ferros na caixa craniana, escapei ileso.

Tenho várias cicatrizes na cabeça, mas como não tenho vocação pra careca, ninguém nota as cicatrizes nem os buracos onde não havia pele para costurar e que cicatrizaram com uso de açúcar cristal; por isso sou assim, tão doce…

Quanto à marca de queimadura no ombro, em 2001, para comemorar 10 anos do acidente, aos 40 anos mandei fazer uma tatuagem em cima da cicatriz.

Compartilho esta história porque hoje completam-se 18 anos da ocorrência (linguagem de BO), 18 anos que não morri – por acaso, sorte, destino ou missão, sei lá. Ter a oportunidade de uma segunda chance é pra poucos, afinal sempre acreditei que cavalo encilhado passa apenas uma vez, mas enfim aconteceu comigo e chego a maioridade desta segunda vida.

Garanto que foi bem vivida: nesses 18 anos, tive dois filhos, fiz um mestrado em antropologia, participei da fundação da Revista Mares do Sul, embrião da atual Editora Letras Brasileiras. Amei e fui amado. Escrevi meu primeiro livro ainda quando me recuperava do acidente e mais meia dúzia depois.

Aproveitei e continuo aproveitando a segunda chance e agradeço todos os dias por ser uma pessoa abençoada.

Façam uma oração por mim, hoje.

Aleluia, Namastê, Aloha, Shalom…

Não importa a crença, só me incluam num pensamento positivo.

Amo as segundas-feiras !! E as terças, quartas, quintas…

Porque todos os dias, qualquer deles, são momentos de comemorar a vida.

Beijos, abraços,

Jakzam Kaiser - 24 de agosto de 2009.

Jakzam Teco teco em Brasília

Depois de escapar da morte, Jakzam perdeu o medo de enfrentar aventuras

3 respostas para “O dia em que meu amigo Jakzam Kaiser renasceu, há 18 anos”

  1. Jacqueline Iensen disse:

    este texto do Jakzam me fez pensar do quanto tempo eu perco me preocupando com bobagens. Parabéns pela nova vida jakzam.
    Um beijo para vcs dois!
    jacque

  2. Jacque, não vejo a hora de rever vocês nessa Ilha da minha paixão.
    Se tudo der certo, logo, logo, estarei ai pra te dar uns amassos.
    Beijão saudoso.

  3. Breno disse:

    O dia e o mês não ficaram registrados na minha mente, mas a lembrança de ver o Jakzam com a cabeça e ombro manchados com iodo e com o olhar de quem viu a figura sem rosto, de longo manto negro, segurando a foice, isso ficou registrado na minha memória.
    Em meio ao corredor do HU, como em um jogo de luzes, minha face ficou branca (que nem os lençóis das macas) em frente à dele escurecida por hematomas e medicamentos. Uma risadinha do guri Jakzam impediu meu desmaio.
    A benção de teres ficares vivo foi muito maior do que podemos imaginar: permitiu que meu grande amigo e padrinho do meu primeiro filho continuasse aqui para vivermos momentos maravilhosos e inesquecíveis. Saúde Jakzam!

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